segunda-feira, 20 de abril de 2009

" A VIDA MATA O AMOR "



" Há gente que espera de olhar vazio, na chuva , no frio , encostada ao mundo a quem nada espanta , nenhum gesto , nem raiva ou protesto , nem que o sol se vá perdendo lá ao fundo . Há restos de amor e de solidão , na pele , no chão , na rua inquieta . Os dias são iguais já sem saudade , nem vontade , aprendendo a não querer mais do que o que resta e a sonhar de olhos abertos , nas paragens , nos desertos a esperar de olhos fechados sem imagens de outros lados , a sonhar de olhos abertos sem viagens e regressos outro dia lado a lado . Há gente nas ruas que adormece , que se esquece enquanto a noite vem ; É gente que aprendeu que nada urge , nada surge , porque os dias são viagens de ninguém. Aprende-se a calar a dor , a tremura , o rubor , o que sobra de paixão . Aprende-se a conter o gesto , a raiva , o protesto . E há um dia em que a alma nos rebenta nas mãos "

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